O primeiro jogo do tipo point-and-click que conheci foi Little Wheel, desenvolvido pela OneClickDog e ganhador do MTV Game Awards 2009. Inteiramente criado em Flash, Little Wheel me surpreendeu não apenas por sua notável simplicidade, mas também pela fácil jogabilidade promovida pela linguagem intuitiva com que fora criado e, sobretudo, pela excelente direção de arte, responsável pelo universo pálido e quase monocromático no qual a história se desenrola — além, é claro, da interessante trilha sonora composta por acordes inspirados no blues.
Já Machinarium, desenvolvido pelo estúdio tcheco Amanita Design, segue uma linha criativa semelhante, porém elevando toda a categoria dos browser games a um novo patamar. E o principal responsável por essa evolução é não somente o aprimoramento da linguagem — Machinarium é consideravelmente mais extenso do que Little Wheel — mas, principalmente, o surpreendente trabalho gráfico concebido por Adolf Lachman para ambientar a narrrativa que também transcorre em um mundo ocupado exclusivamente por máquinas, a maior parte delas antropomorfizadas.
Acertadamente, Machinarium não apresenta um minuto sequer de diálogos ou qualquer forma de texto (o que, inevitavelmente, me fez lembrar dos inesquecíveis 15 minutos iniciais de Wall-e). Toda a ação se desenrola a partir dos gestos e episódios que vão se desacortinando para o jogador à medida que o jogo avança. A propósito, este é outro grande êxito do game, já que só compreendemos o real sentido da história quando terminamos de jogá-la, algo que requer uma dose extra de atenção e, na maioria das vezes, de raciocínio lógico, ingredientes fundamentais para decifrar os enigmas que se colocam no caminho do protagonista, grande parte deles composta de puzzles clássicos como o famigerado Space Invaders, do Atari.
Disponível tanto para PC quanto para Mac, Machinarium pode ser adquirido por U$5 (menos de R$10!) até o dia 16 deste mês, juntamente com a fantástica trilha sonora do jogo.




